0 empreendimento IC 3 Ligação de Tomar ao IP 6 foi candidatado ao Fundo de Coesão com um custo estimado de € 20.835.129,00 incluindo aquisição de terrenos, construção e promoção e divulgação. O investimento elegível é de € 17.793.485,00. O projeto cofinanciado pela União Europeia através do Fundo de Coesão em 84% (€ 14.946.527,00) contribui para a redução das desigualdades sociais e económicas entre os cidadãos da União.
Integrada no Plano Rodoviário Nacional, a construção desta infraestrutura visa reduzir os principais custos de funcionamento global das vias já em exploração e a ligação ao corredor diagonal IP 2/ IP 6 do Projecto Prioritário nº 8, aumentando assim a eficiência da Rede Transeuropeia de Transportes.
A ligação desta região aos centros de mercado e à Europa insere-se na estratégia de desenvolvimento regional, ao mesmo tempo que ajuda a viabilizar a estratégia Europeia, em particular do Projeto Prioritário nº 8, definido como um corredor multimodal de ligação de Portugal a Espanha e ao resto da Europa.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
O Itinerário Complementar Nº 3 desenvolve-se de Sul para Norte na zona centro do país, ligando Setúbal a Coimbra, atravessando o Ribatejo e fazendo a ligação a outros itinerários principais e complementares. Trata-se de uma via de importância fundamental para o desenvolvimento económico de toda a região de Tomar e permite alcançar não só Lisboa e Porto como também a fronteira de Vilar Formoso sempre por autoestrada, a partir de Tomar.
Num futuro próximo, com a conclusão do sublanço do IC 9 - Nó de Carregueiros/ Tomar (IC 3), em construção, e que se desenvolve a Norte de Tomar, vai ser possível, desviar todo o tráfego de passagem de dentro da cidade de Tomar o que vai permitir resolver alguns dos seus problemas na gestão de tráfego.
Este lanço desenvolve-se numa extensão de 8.325 metros e está compreendido entre a Ponte sobre a Ribeira da Bezelga e o atual Nó da Atalaia na A23 (IP 6). Desenvolvendo-se nos Concelhos de Tomar (até ao km 5,1) e de Vila Nova da Barquinha (do km 5,1 até ao final), o lanço agora concluído possui uma orientação próxima de Nordeste / Sudoeste, com um perfil transversal tipo de 2 x 2 vias e ligações desniveladas à rede viária.
Foram executadas duas ligações desniveladas à rede viária existente, sendo que o primeiro nó é do tipo meio-trevo alongado, localizado ao km 4,000, junto à Estação de Tratamento da EPAL, com ligação à EM 535-2 e à EN110 através de rotunda, que vai servir as localidades de Asseiceira, Charneca da Peralva e Linhaceira, entre outras.
O traçado em planta da EM 535-2 foi mantido coincidente com o existente, mas procedeu-se a uma retificação do seu perfil longitudinal por forma a eliminar uma "lomba" existente, que não proporcionava visibilidade ao entroncamento a executar.
Possui dois ramos bidirecionais "A+B" e "C+D", complementados por quatro ramos unidirecionais: "A", "B", "C" e "D". Houve ainda a necessidade de considerar cinco restabelecimentos associados a este nó, que se denominaram de 5A, 5B, 5C, 5D e 5E.
Ao km 7,600, encontra-se o segundo nó, do tipo trompete, com ligação à EN 110, mantendo os acessos da A23 (IP 6) à localidade da Atalaia e à Zona Industrial de Vila Nova da Barquinha.
O nó apresenta uma geometria em forma de "trompete", corretamente orientado no sentido do maior fluxo de tráfego e a distância entre este e o Nó da Atalaia do IP 6 é de cerca de 800 m, garantindo assim comprimentos seguros para as vias de entrecruzamento.
Neste lanço do IC 3 foram restabelecidas todas as estradas e caminhos mais importantes afetados pela construção da futura via rápida.
Assim, executaram-se onze restabelecimentos de estradas ou caminhos, dos quais nove deles incluem passagens superiores, inferiores ou agrícolas, relativamente ao IC 3. Para além destes restabelecimentos, há ainda a acrescentar os cinco restabelecimentos associados ao Nó da Asseiceira, bem como os dois associados ao nó com a EN 110.
O traçado do IC 3 interfere com uma série de caminhos menos importantes (acessos a propriedades e caminhos pedonais), os quais foram também repostos através de caminhos paralelos.
Deste modo, e tendo em conta o cadastro da zona afetada e respetivas expropriações, analisou-se a necessidade de prever caminhos paralelos, os quais se desenvolvem geralmente ao longo das cristas e pés de talude da via rápida, acompanhando as "ondulações" do terreno natural. Foram executados 12 caminhos paralelos, com uma extensão total de 5 580 metros.
PERFIL TRANSVERSAL TIPO
O perfil longitudinal deste lanço do IC 3 apresenta características geométricas compatíveis com a velocidade de projeto de 100 km/h e o perfil transversal tipo da plena via é constituído por duas faixas de rodagem unidirecionais, tendo cada uma delas duas vias de 3,75 m de largura, bermas exteriores com 3,75 m e bermas interiores com 1,00 m de largura e o separador central com 4,00 m de largura.
A fim de se assegurar melhores condições de segurança e fluidez ao longo do traçado nas entradas e saídas dos ramos dos nós, executaram-se vias de aceleração e abrandamento, devidamente dimensionadas para as velocidades admissíveis no local, em função dos raios adotados e das inclinações dos trainéis.
A estrututa do pavimento da plena via, que é do tipo semi flexível, é constituída por:
Camada de Desgaste em betão betuminoso com 5 cm de espessura;
Camada de Regularização em macadame betuminoso com 9 cm de espessura;
Camada de Base em macadame betuminoso com 11 cm de espessura;
Base granular em agregado britado de granulometria extensa com 20 cm de espessura;
O Leito de Pavimento é constituído por uma camada de solo-cimento com 20 cm de espessura.
OBRAS DE ARTE INTEGRADAS E OBRAS DE ARTE ESPECIAIS
Esta empreitada compreende 10 obras de arte integradas: 2 passagens Superiores - 7 Passagens Inferiores -1 Passagem Agrícola
PASSAGEM SUPERIOR Nº 9
Trata-se de um pórtico de dois vãos com uma extensão de 54 metros, que está subdividido em 2 tramos de 25,50 metros e 28,50 metros. O tabuleiro é monolítico com os pilares, um sob cada nervura, e nos encontros apoia sobre os aparelhos de apoio que são do tipo monodirecional.
Planta e Alçado
O tabuleiro é uma laje com 2 nervuras de altura constante e igual a 1,30 metros. A largura destas nervuras varia entre 3,20 metros na base e 4,60 metros no topo. A laje que liga as duas nervuras, junto à face superior destas, com 4,90 metros de vão, tem uma espessura variável entre 0,40 metros na secção encastramento e 0,30 metros a 1/2 vão. As consolas, que perfazem a restante largura da secção transversal, têm um vão em balanço de 2,40 m e uma espessura variável entre 0,40 m na ligação à nervura e 0,15 m no bordo livre.
Secção Transversal do Tabuleiro
De modo a aligeirar o peso próprio da nervura, foram adotados 3 vazamentos circulares com 0,50 metros de diâmetro em cada nervura. Estes vazamentos são interrompidos a 4 metros do encontro e a 5 m do eixo do pilar. O tabuleiro apoia no encontro através de carlingas transversais com 0,80 metros de largura e altura variável a partir de 1,40 metros.
Os pilares possuem secção transversal constante em toda a altura. Optou-se por uma secção transversal simples, com uma envolvente aproximadamente retangular com a maior dimensão igual a 2,60 m e a menor dimensão de 0,80 m.
Secção Transversal do Pilar
A qualidade do terreno de fundação na zona de implantação permite que a fundação do pilar seja direta, materializada por duas sapatas paralelepipédicas cuja área em planta foi condicionada pelas tensões admissíveis e a altura condicionada pela verificação aos estados limites de corte e punçoamento, resultando deste modo, duas sapatas em betão armado com 7,50 x 5,00 x 1,30 m3.
PASSAGEM INFERIOR Nº 4
Trata-se de um pórtico em betão armado com uma largura total de 29,50 metros e um vão livre de 7,70 metros.
De modo a permitir uma correta transição entre a obra de arte e a plena via, foram adotadas lajes de transição com 5 metros de comprimento. Para impedir que as saias de aterro cubram o restabelecimento, foram adotados muros de ala com 0,25 metros de espessura dotados de contrafortes de inércia variável.
A laje do tabuleiro e os montantes têm 0,60 metros espessura. Estes montantes assentam em sapatas de betão armado com 0,80 metros de espessura e 3,20 metros de largura.
VIADUTO DA ASSEICEIRA
O tabuleiro da obra permite a implantação do perfil transversal deste troço do IC 3, ou seja, duas faixas de 7,50 metros mais 3,50 metros para os ramos, com bermas interiores de 1 metro, exteriores de 2,50 metros, passeios de 1,25 metros de largura e separador central de 4 metros, o que origina uma plataforma de 35,50 metros de largura total.
Cada uma das faixas do IC 3 é um pórtico longitudinal subdividido em dois vãos extremos de 29 metros do lado de Tomar e 18 metros do lado do IP 6 e 4 vãos intermédios de 46 e 29 metros, perfazendo um total de 180 metros.
O tabuleiro á uma laje apoiada em quatro vigas, pré-esforçadas longitudinalmente, afastadas 4,50 metros transversalmente. As vigas têm alturas que variam entre 1,50 metros a meio vão e 2,35 metros no apoio, no vão de 46 metros e adjacentes. Nas restantes zonas do viaduto a altura da viga é constante e igual a 1,50 metros. A laje prolonga-se para o exterior da viga em consola de espessura variável entre 0,40 metros junto à viga e 0,25 metros na extremidade.
A qualidade do terreno de fundação na zona de implantação permite que a fundação do pilar seja directa, materializada por uma sapata paralelepipédica cuja área em planta foi condicionada pelas tensões admissíveis e a altura condicionada pela verificação aos estados limites de corte e punçoamento, resultando deste modo sapatas em betão armado com 6,50 x 11,00 x 2,00 m3 nos pilares P1 e P2 e 6,00 x 10,00 x 1,70m3 nos restantes pilares. A sapata dos pilares P1 do lado Sul e P2 do lado Norte teve que ser rodada de modo a que o seu lado maior ficasse paralelo ao limite da conduta da EPAL, permitindo reduzir o vão para 46 metros.
SERVIÇOS AFECTADOS
O projeto deste lanço do IC 3 interferiu, na sua implantação, com redes de serviços existentes, de diversos tipos. O conhecimento prévio dessas interferências permitiu o planeamento da construção e a adoção de várias medidas com vista à sua proteção ou reposição, a fim de assegurar a manutenção dos serviços existentes. Foram assim confirmadas interferências com redes de gás natural, redes aéreas de eletricidade, redes aéreas de telecomunicações, redes de esgotos e redes de adução e distribuição de água de onde se salienta, dado à especificidade do tipo de trabalhos, a Rede de Gás Natural e o Adutor da EPAL de Castelo de Bode.
Adutor da EPAL de Castelo de Bode
As interferências do traçado do IC 3, do ramo "A+B" do Nó da Asseiceira e dos restabelecimentos 5A e 5B do mesmo nó com o adutor de Castelo de Bode da EPAL são as mais importantes e de maior dificuldade de execução, que se detetaram no projeto do presente lanço do IC 3. O atravessamento deste adutor de diâmetro 1800 mm em betão armado, pelo traçado do IC 3, foi realizado através da consideração do Viaduto da Asseiceira pelo que não houve necessidade do seu desvio ou reposição. Apenas houve necessidade de garantir que os pilares do viaduto se posicionassem fora da faixa de 15 metros de largura da EPAL e que na altura da execução das suas fundações, se garantisse a estabilidade da conduta existente. Em complemento e visto que a EPAL iria proceder à duplicação do adutor, entre a Barragem do Castelo de Bode e a Estação de Tratamento na Asseiceira, foi necessário executar 85 metros de extensão de tubo de chapa de aço, diâmetro 1800 mm, envolvido em betão armado sob o ramo "A+B" e do restabelecimento 5B do Nó da Asseiceira.
Gasoduto de Ligação ao Magrebe
Ao longo do traçado deste lanço do IC 3, verifica-se uma interferência com o gasoduto de Ligação ao Magrebe - Lote 3B - de diâmetro 700 mm, que se encontra enterrado a cerca de 1,40 metros de profundidade e devidamente sinalizado, onde o traçado do IC 3, cerca do km 5,125, atravessa superiormente o gasoduto, em situação de aterro com cerca de 6 metros de altura. Previu-se e executou-se a protecção deste gasoduto através da construção de uma estrutura porticada em betão e complementarmente, foi prevista a instalação de uma tubagem realizada com manilhas de betão da classe IV, com 1 metro de diâmetro e com traçado paralelo ao da conduta existente, a qual foi devidamente tamponada. Esta tubagem destina-se, eventualmente, à instalação de uma substituição ou duplicação do gasoduto existente.
ESTUDO DE IMPACTE AMBIENTAL
A Lei de Bases do Ambiente de 1987 introduz legislativamente a política do ambiente e do ordenamento do território. Num contexto transfronteiro, surgiram as Diretivas Comunitárias na perspetiva de promoção de um desenvolvimento sustentável, posteriormente transpostas para o direito interno, constituindo o Decreto-Lei 69/2000, de 3 de maio, alterado pelo Decreto-Lei 197/2005 de 8 de novembro e pela Declaração de Retificação 2/2006 de 6 de janeiro, o regime jurídico da Avaliação de Impacte Ambiental (AIA).
Neste contexto, o projeto deste troço do IC 3 foi sujeito a procedimento de AIA, tendo a obra sido acompanhada periodicamente por um representante do Gabinete de Ambiente da EP- Estradas de Portugal, E.P.E. bem como por uma representante do Instituto do Ambiente, tendo esta participado em todas as decisões tomadas desde o início perante o acompanhamento ambiental prestado pelo Adjudicatário.
O Consórcio Adjudicatário integrou uma equipa de três pessoas para cumprimento das exigências do Dono de Obra em termos de Gestão Ambiental, tendo-se obrigado ao cumprimento do estipulado em Caderno de Encargos, na Declaração de Impacte Ambiental e Pós-Avaliação, bem como das medidas de minimização propostas no Estudo de Impacte Ambiental, entre as quais o Plano de Monitorização dos Recursos Hídricos Superficiais e Subterrâneos, Ambiente Sonoro e Qualidade do Ar, o Projeto de Integração Paisagística e, ainda, o Projeto de Proteção Sonora.
Este processo de acompanhamento ambiental da empreitada foi dinâmico, tendo integrado o contributo de todas as pessoas envolvidas, na perspetiva da prevenção/ minimização dos impactes ambientais decorrentes do desenvolvimento da empreitada, incluindo os que não estavam previstos na fase de projeto.
DONO DE OBRA EP - Estradas de Portugal, E.P.E.
PROJETISTAS
Obra Geral TECNOFISIL - Gabinete de Estudos e Projetos de Engenharia, Lda. Obras de Arte DIMECONSULT Engenheiros Consultores, Lda.
ADJUDICATÁRIO Consórcio constituído pelas empresas: