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    Início Imprensa Seminário - A Conservação do Património de Obras de Arte da EP

     
    Seminário - A Conservação do Património de Obras de Arte da EP

    Seminário

    A Conservação do Património de Obras de Arte da EP

    - O conhecimento como suporte da decisão -

    2 de março de 2011

     

     

     

    O Evento 

    Teve lugar no dia 2 de março, pelo segundo ano consecutivo, um Seminário organizado pela Estradas de Portugal tendo em vista a divulgação das atividades que desenvolve, relativas à Conservação do Património de Obras de Arte a seu cargo. 
    A seleção dos temas para o presente ano não podia deixar de ter presente o facto de se assinalar a passagem de 10 Anos sobre o trágico acontecimento da queda da Ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, que se refletiu no conceito agregador de todas as apresentações selecionadas – O Conhecimento como suporte da Decisão. 
    O tema motivou a adesão de mais de 150 participantes, tanto institucionais como representantes de associações profissionais, do meio empresarial dos projetistas e empreiteiros, que trabalham com a Estradas de Portugal na prossecução do seu desígnio estratégico – A segurança da exploração das suas infraestruturas. 
    Releva-se a presença do Sr. Presidente do LNEC, IGESPAR, Diretores da REFER, Dirigentes APCAP, APPC e ASCP, para além dos Administradores e conceituados técnicos de Empresas Projectistas e Empreiteiros. 
    O Seminário foi aberto pelas boas vindas do Sr. Presidente do Conselho de Administração, Dr. Almerindo Marques. Nas breves palavras que dirigiu à vasta audiência, incluindo órgãos de comunicação social, justificou a importância da execução, pela EP, nesta data, de um balanço de atividades desenvolvidas na área da Obras de Arte, e da capacidade da Empresa de, recordando o passado, projetar e orientar o seu futuro. Mais acrescentou que, por esse motivo a EP entende como seu desígnio fundamental a consolidação dos investimentos em Conservação destas Infraestruturas, mantendo deste modo inalterado o programa de intervenções decorrente das metodologias de Gestão da Conservação que tem implementado. 

    Seguiu-se uma apresentação de fundo, pelo Sr. Vice-Presidente da EP, Eng.º Eduardo Gomes, o qual efetuou o balanço dos últimos 10 anos da Gestão Conservação das Obras de Arte. Nesta, relevou a alteração profunda de modelo de organização, seus conceitos, normas e procedimentos, que ocorreram deste 2001, que fizeram tornar completamente irreconhecível o panorama atual face àquele que se verificava à data do trágico acidente. Esta apresentação foi suportada pela evidenciação de um conjunto de indicadores demonstradores do trabalho desenvolvido nesta última década, no que respeita à Inventariação, Inspeção, Projeto e Intervenção em Obras de Arte, e do seu atual estado de Conservação, assim com a projeção nos próximos anos dos planos em execução. A apresentação terminou com o apontar dos caminhos traçados pela EP no desenvolvimento das suas metodologias na Gestão de Conservação de Obras de Arte.

     

     

     

    Os Temas e o Debate 
    Seguiram então o desenvolvimento dos trabalhos, com os seguintes temas: 

     

    Comportamento Estrutural em Ponte de Alvenaria de Pedra
    Pelo Prof. Catedrático Eng.º Aníbal Costa, do Dep. de Eng. Civil da Universidade de Aveiro, foi dado a conhecer o trabalhos desenvolvido tendo em vista o conhecimentos dos modelos de comportamento e caracterização estrutural das alvenarias de pedra, levadas a efeito em modelos reais, com recurso a instrumentação detalhada, como suporte ao desenvolvimento de soluções seguras para a sua reabilitação. Foram dados exemplos práticos de processos de desenvolvido tendo em vista o reforço antissísmico de edifícios dos Açores, e reabilitação e instrumentação de Ponte Património. 

     

    Novos Sistemas Desenvolvidos
    O Eng.º Fernando Garcia, da empresa DELTA 9 efetuou uma interessante apresentação sobre os conceitos base da deterioração das estruturas em betão, como suporte à tomada de decisão sobre os métodos e técnicas empregues na sua reabilitação. 

    Análise: O Debate da parte da manhã foi naturalmente sereno, atenta a natureza técnica das apresentações, convidando mais a reflexão e interiorização de conceitos, sobre os quais foram inquiridos os apresentadores e sobre os quais, de modo cordial, prestaram todos os necessários esclarecimentos.

     

     

    As Estruturas Metálicas Tubulares
    Nesta apresentação, os Dirigentes da EP, Eng.ª Elisabete Lopes ( face à ausência da autora, a exposição foi efetuada pelo Eng.º Santinho Horta ) e Eng.º Carlos Pimentel, autores da comunicação, pretenderam dar a conhecer a avaliação que foi efetuada sobre o desempenho funcional sobre este tipo de estruturas, no âmbito da exploração rodoviária. Assim, foi apresentada a avaliação efetuada no SGOA deste Património, o seu Estado de Conservação decorrente do plano de Inspeções que está em fase de conclusão este ano, os projetos e obras executados previstos e em curso. Neste âmbito foi possível caracterizar os tipos de anomalias que caracterizam estas obras, efetuar a sua relação com o tipo de exploração a que é sujeita, meio envolvente e idade, e comparar a realidade portuguesa com a vivida em França. A apresentação de casos reais ocorridos no último ano, que implicaram o abandono destas soluções e a adoção de soluções novas, terminou esta exposição. 

    Análise: O Debate sobre este tema foi ativo, tendo participado, a seu pedido, os responsáveis pela Empresa Espanhola responsável pela marca ARMCO. Estes não deixaram de apontar o facto de que os danos verificados em Portugal, e evidenciadas pelas inspeções efetuadas, permitirem concluir que a execução destas obras em Portugal não respeitou as prescrições exigentes contidas nas especificações técnicas de fabrico, o que a acrescer ao facto das obras não terem sido objeto de qualquer conservação, justificava o estado de degradação a que algumas chegaram. A contestação a este entendimento foi generalizada, entre Projetistas, Donos de Obra (EP e REFER), tendo sido consensualizado que uma solução que necessite de meios e condições ideais de implantação e execução, que têm difíceis senão impossíveis soluções de conservação corrente, e que quando evidenciam danos estruturais, têm como solução única a sua remoção, não são compatíveis com as exigências actuais de segurança da exploração e de serviço público, a que as concessionárias rodoviária e ferroviárias estão obrigadas.  

    Pôde-se concluir que, os conceitos de “ Total Life Cost “ são de aplicação obrigatória, tendo em vista assegurar que, antes da tomada de qualquer decisão para a qual contribua a potencial adoção do tipo ETMAC, os custos envolvidos, nas diversas soluções alternativas disponíveis são considerados.

     

     

    A problemática do Projeto de Reabilitação de OA Históricas
    A Pontes do Prado sobre o Rio Cávado – Reabilitação e Reforço. A visão dos Projetista e do Dono de Obra, duas apresentações da autoria respetivamente do Eng.ºs Carlos Vieira da Lisconcebe, Neuza Rodrigues e Carlos Pimentel da EP, pretenderam dar a conhecer as soluções desenvolvidas num caso prático de reabilitação de uma Ponte Histórica. 

    Análise: O Debate que se seguiu a este tema, despoletado pela EP, incidiu sobre o tema da complexidade da compatibilização de duas leituras completamente distintas – A da EP e a das Direções Regionais de Cultura - relativamente aos conceitos que devem presidir à reabilitação de estruturas que, estando ao serviço, integradas na rede de estradas nacionais, estão classificadas pelo IGESPAR como Património Histórico. 
    Com efeito a EP, nos Projetos por si elaborados, tem sempre como desígnio base adequar a obra, na medida do possível, às exigências regulamentares atuais, atento o tráfego que circula nestas pontes, sem nunca esquecer a necessidade de respeitar as suas características fundamentais. Fá-lo no entanto tendo sempre presente o adoção de soluções tecnicamente corretas, que assegurem a estabilidade e a durabilidade da intervenção.  
    Esta posição de equilíbrio não tem, no entanto, sido bem acolhida no seio de algumas Direções Regionais de Cultura, que têm contraposto com a imposição de soluções viradas exclusivamente para a preservação da componente patrimonial, mas geradoras de potenciais insuficiências em termos estruturais, tendo em conta as sobrecargas e restantes ações regulamentares a que estarão sujeitas. 
    Os Projetistas solidarizaram-se em volta deste tema, tendo ficado evidente o desconforto geral perante esta situação, com a qual se vêm confrontados, tendo colocada a questão nos seguintes termos: 

    a)   A obrigação da adoção de soluções propostas por algumas Direcções Regionais de Cultura, que não são as mais adequadas do ponto de vista estrutural, são incompatíveis com as responsabilidades que têm de assumir no Projeto.
    Estas responsabilidades podem levar a que o Projetista seja chamado a responder criminalmente por falhas no projeto, com cuja conceção não concordou, mas que lhe foi imposta por uma entidade externa.
    Mais acresce que esta responsabilidade não prescreve  no tempo, pelo que o Projetista fica sujeito a ser chamado a responder por uma solução que subscreveu, mas que é desadequada, tecnicamente incorreta,  e que vai colocar em risco a estabilidade e durabilidade de uma intervenção,

    b)  A adoção de soluções onerosas de reabilitação, atentas a necessidade de contenção da despesa, que todos obrigam, constitui uma ingerência nas competências dos Projetistas e Dono de Obra, pondo em causa a sua consciência e responsabilidade Social. 

    c)   Em última instância, a imposição de determinadas soluções por parte das Direções Regionais de Cultura poderá implicar a inibição de circulação de determinados veículos nestas obras, o que apresenta depois outro tipo de consequências, frequentemente difíceis de gerir. 

    Em síntese, verificou-se uma unanimidade à volta da preocupação relativamente aos resultados do desalinhamento de pontos de vista entre o EP e algumas Direções Regionais de Cultura, situação esta que muitas vezes motiva alterações de rumo e ajustamentos a Estudos em curso, com consequências no tempo necessário ao seu desenvolvimento, qualidade da solução técnica e custo final da intervenção.  

     

    A Ponte de Mosteirô – Reabilitação e Reforço
    O caso da Ponte mais bela de Portugal, como alguém a chamou nesta sessão, foi o modo encontrado por todos por se reunirem à volta do projeto, da Empresa Coba, apresentado pelo Eng.º João Pinho da COBA e pelo Eng.º João Pedro Lopes da BEL/TD, adjudicatário da empreitada, para encerrar com chave de ouro este Seminário.
    Foi assim apresentado o intenso trabalho desenvolvido na fase de Estudo, tendo em vista contornar os problemas colocados pelo condicionamentos à execução da obra, nomeadamente o tráfego fluvial do Rio Douro, e a necessidade de preservar na solução de reforço, as características estéticas únicas da obra. 

    Análise: O Debate que se seguiu pautou-se pela positiva, tendo sido relevado o facto de os Projetos deverem durar o tempo necessário e suficiente para permitir o estudo de todas as suas implicações, tal como aconteceu neste caso, permitindo assim ao Adjudicatário o conhecimento total das condições que têm de respeitar para o normal desenvolvimento da obra.  
    Mais foi salientado, principalmente pelos Projetistas presentes, a importância da qualidade do projeto para a economia da obra, ficando mais uma vez demonstrada que a economia do empreendimento não é obtida pela redução do custo do Projeto. 
    A expansão do tema para os Honorários dos Projetistas, critérios de adjudicação, o conceito do preço anormalmente baixo foi o tema do último debate, tendo ficado assentes as seguintes ideias chave: 

    - A EP aceita que um bom projeto pode não ser o mais barato, assim como um mau, não é obrigatório que o seja. A qualidade final do projeto decorre da conjugação da qualidade do projetista e das competências da coordenação, que serão sempre exigências de qualquer processo; 

    - A EP não deixará nunca de procurar a solução financeiramente mais interessante, e por utilizar todas as ferramentas contratuais ao seu dispor para exigir aos Projetistas o cumprimento explícito das suas obrigações, independentemente da sua proposta, cujo valor a EP não condicionou. 

    - A EP estará sempre aberta a encontrar soluções conjuntamente com as associações profissionais de projetistas para a melhor e mais justa avaliação da proposta, no âmbito do atual enquadramento legal que é obrigada a respeitar. 

     

    Notas Finais
    A realização pela EP, pela segunda vez, deste debate alargado sobre a Conservação das suas infraestruturas, e a sua cobertura pelos órgãos de comunicação social, justificam o esforço tido para que, num evento que mobilizou o esforço não só desta Empresa, mas daqueles que com ela trabalham, fosse possível passar uma mensagem de confiança sobre a correção do caminho que decidimos trilhar.  
    A competente Gestão da Conservação do Património de Obras de Arte será sempre, para a EP, uma peça fundamental para o cumprimento sustentado das competências e obrigações, como maior concessionário da Rede de Estradas do Estado. 
    Para a Conservação de Obras de Arte, os recursos de que dispomos devem ser considerados prioritários face aos da extensão da rede, paradigma este ainda mais atual quando o enquadramento económico em que vivemos implica que os mesmos sejam escassos, e tenhamos que fazer opções. 

    Até para o Ano.

     

    As apresentações: 

     

    Documento PDF

    Balanço SEGOA 2001/2010

    Documento PDF

    Conclusões Finais

    Documento PDF

    EP - Estruturas Tubulares Metálicas em Aço Corrugado

    Documento PDF

    EP - Reabilitação de Obras de Arte Históricas

    Documento PDF

    BEL - EN211 - Ponte Mosteirô sobre o rio Douro

    Documento PDF

    COBA - Mosteirô Conservação do Património

    Documento PDF

    LCW - Ponte do Prado sobre o rio Cávado

     

     
     
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